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Sex, 15 de Dezembro de 2017


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PARA VOCÊS, ASPIRANTES MISSIONÁRIOS

(Publicamos esta carta escrita pelo Pe. Eliseu Coroli  em junho de 1931, em resposta a um estudante barnabita. Todos, mas  especialmente aqueles que aspiram o apostolado das missões,  encontrarão oportunas informações).

Carissimo,

1º - Quantos são os índios no Gurupi? Meu caro, sobre esta pergunta ouvi muitos sinos competentes, mas não estão de acordo, sobretudo Eliseuquando se trata do número. A maior parte me assegura que existem índios selvagens entre o povo do Gurupi. É certo que há no alto Capim uma tribo, aldeia de índios pacíficos meio batizados (nada maisiNDIO, absolutamente nada mais) porém reduzidas  a umas dezenas por motivo da doença. Também milhões de índios TAMBÉS geralmente, pacíficos, encontram-se no alto Gurupi. Alguns da tribo dos Urubus vêm passear em nosso território – há alguns anos, para saquear ou então atraídos  por  um “Posto Governativo do Pará”, que procura aproximar-se deles e ensinar-lhes  (ao menos até agora com o governo deposto há poucos meses). Para saber mais não há outro meio senão ir ver. Também não podemos esquecer que os índios são nômades.

2º - Se podemos fundar “Fazendas” para escolas agrícolas? É o que desejamos. A instrução é quase nada, a agricultura muito primitiva entre os índios. Naturalmente abrindo escolas com a instrução primária, seria necessário ensinar alguma coisa de agricultura, de artes e de outros ofícios. Os Índios não têm  paciência de trabalhar sistematicamente, sobretudo no mesmo lugar, e de ganhar alguma coisa a mais do que o estrito necessário. De resto, todos os índios adultos são mais ou menos deste parecer. A maior ou a única esperança – está nos jovens.

3º - É útil aprender alguma coisa de enfermagem, ao menos elementar, de construção simples, de agricultura? A mim parece não somente útil mas necessário para quem se destina às missões.  A quem segue, mesmo de longe, o movimento missionário não pode deixar dúvida o incremento que vai tomando a medicina missionária.  E, o missionário que une a santidade ao dom do conselho moral e ao interesse material é sempre mais procurado e faz maior bem. E ainda, quanto mais “prático” é o missionário, tanto melhor. O Padre Moretti tem dirigido os trabalhos de reconstrução das capelinhas;é ele quem ensinou um pouco de cozinha, ajudou a pintar as janelas e portas, ocupou-se de pintinhos, de galinhas, de perus, de cavalos e de patos. Tem dado o seu parecer sobre motores que não queriam funcionar, sobre barcos que deveriam ser reformados etc.  ensina canto, prepara a semana santa. Pena que nenhum de nós saiba tocar harmônio.

Assim como estamos, a nossa assistência  é mesmo somente aos “caboclos” sobretudo aqueles dispersos nas matas, que são a maior parte. Mesmo assim, não se pode chegar até eles senão de maneira muito limitada e imperfeita.

Adeus rezai pelo vosso...

Afeiçoadissimo em Cristo

Eliseu Maria Coroli